quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Sr. Errado.

Era uma vez um garoto qualquer. Inventou de seguir quase errante na vida, gostou. Os comentários alheios não mais importavam e ele passou admirar sua própria loucura. Andava como queria, vestia-se como queria e falava com quem queria. Curtia ir pra balada mais teen da cidade e dançar ocupando grande espaço. Fazia amizade com as prostitutas e amor com letras de músicas. Tirava fotos fazendo bicos e caretas, e qual o problema? Gostava do que os outros odiavam e odiava o que os outos amavam. Era o Sr. Errado. E ele gostava de ser assim, gostava de se sentir livre e descolado, gostava de animais e de internet, gostava dos amigos e velhos, ele gostava de meninos e meninas.

Achava que nunca se apegaria a ninguém, mas um dia encontrou alguém que aqueceu seu coração e ele passou a gostar de andar de bicicleta à noite, de sentar no meio fio. Mas ele se atrapalhava com palavras e atitudes e acabou voando sozinho. Perdeu-se, não se achou. E não mais conseguia encontrar seu caminho. E quando finalmente encontrou e voltou, percebeu que já era tarde demais pra ele. Chorou. Bebeu da taça do orgulho e engoliu em seco o arrependimento. Sr. Errado Sr. Errado, por que é sempre tão errado assim?

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Sonho e Realidade

     Lembro que de vez em quando chegava a sonhar com portas falsas, um fundo falso de gaveta, uma história mal contada e quando acordava o clima de mistério ainda pairava no ar. Mas era um mistério pobre, era um mistério só meu e de mais ninguém. E era este mistério que me dava forças pra viver. Eu não podia morrer enquanto não solucionasse tudo. Mas solucionar o que? Mentiras criadas por mim mesmo, para preencher meu mundinho vazio. Mentiras que de certa forma, anestesiavam minha solidão, tornavam-me um pessoa como outra qualquer, sociável, visível.
     Era dormindo que eu despertava. Nos sonhos eu podia ser o que quisesse. Algumas vezes guerreiro, outras vezes monstro, mas isso não importava, pois ao menos fazia parte de uma história. O estranho era que eu tinha medo da madrugada. Quando o dia ia morrendo e a noite chegava com seu canto insosso, meu coração ficava cinza. Talvez porque na madrugada eu ficava diante de mim. Na madrugada a solidão da minha alma se juntava com a solidão do próprio mundo. Tornávamos um só. Gélidos.
      Assim segui por muito tempo, vivendo nas sombras de fantasias surgidas dos meus sonhos. Até que ousaram me olhar e me viram. Trouxeram-me para o mundo real e eu descobri a verdadeira face da vida. Uma face cruel, má, impiedosa e totalmente atrativa. Tive minhas primeiras experiências e percebi que meu coração era diferente dos outros corações humanos, sempre confuso, triste e em busca de algo. Depois de tanto tempo sozinho, eu podia amar desesperadamente toda criatura carente de afeto. Mas isso não era uma característica boa, pois me tornei extremamente frágil e sensível, difícil de fazer feliz e fácil de magoar.
      E diante de toda essa beleza maligna, tornei-me mais um na multidão, agora eu estava no mundo. Eu finalmente tinha saído, não precisava mais construir falsas realidades, pois a verdadeira realidade estava perseguindo-me como um leão faminto persegue sua presa. E quando finalmente ela alcançou-me eu tive forças o bastante para dizer “ Eu não tenho medo de você, tenho poder o bastante para enfrentar-te. Consigo este poder em meus sonhos”.

Jeffew StrangerBlood