Ontem eu cheguei em casa bem tarde e fui direto para o PC. Meu MSN estava um lixo como sempre, então resolvi dar uma olhada em um site chamado Estronho e Esquésito. Nele qualquer pessoa pode publicar contos ou poemas, mas sempre relacionados com o tema do site, que é ficção, terror, suspense e fantasia. Depois de algum tempo acabei enjoando e fui ver TV. Nossa, que droga. Nada de interessante. Peguei um livro, Os Melhores Contos Fantásticos, mas logo o abandonei no sofá. Que porra, nada pra fazer nessas horas mortas.
Horas Mortas? Foi ai que me lembrei de uma coisa que ouvi um tempo atrás. Dizem que quando uma casa esta em horas mortas, os zumbis saem a vagar. Mas o que são essas horas mortas? É quando não há ninguém acordado, quando a casa é entregue ao desconhecido. BaaaH! Quanta bobagem, eu pensei. Se os zumbis vagam pelas casas nas horas mortas, como é que alguém pode ter certeza disso? Pois se assim for, a pessoa devia estar acordada pra ter visto o tal morto-vivo.
Fiquei pensando naquilo, assuntos assim sempre me fascinaram. Acabei chegando à uma conclusão: Quando alguém costuma passar todas as madrugadas acordado , ele vai tornado-se uma criatura da noite, alguém cujas horas mortas não fazem efeito. Alguém que pode ver seres humanos em estado de putrefação vagando pela sala, ou mexendo nas panelas da cozinha. Depois de ter pensado isso, fiquei com vergonha de mim mesmo.Vergonha de meus pensamentos. Que pessoa inteligente eu sou, pensei.
Já eram quase três da manhã quando resolvi tomar um banho frio. Estava embaixo do chuveiro sentindo a água correr por meu corpo quando ouvi o primeiro barulho. Pareciam passos. Desliguei o chuveiro e fiquei em silêncio. Nada. Voltei ao meu banho. A droga do barulho de novo. Será que minha mãe está passando mal? Sai do banheiro cheio de espuma e enrolado na toalha, pingando água por onde passava. Ela dormia tranqüila. Mas que bosta é essa? Terminei de me secar no quarto. O silêncio agora reinava. Mais que droga de silêncio de horas mortas! Como se obedecendo meus pensamentos um barulho de panela caindo veio da cozinha. Eu gelei. Quem esta ai?
A casa toda reinava em escuridão. Não é nada, deve ser apenas o gato preto, sem o olho! Caminhei até a cozinha, o lugar estava gelado e havia um líquido pegajoso no chão. Meu Deus! O que estava acontecendo? Eu caminhei devagar. Cadê o interruptor da lâmpada? Não conheço nem minha casa. Passei perto da geladeira e percebi alguém ali, atrás dela. Eu senti a presença, mas não senti a vida. Os pelos de meu corpo se eriçaram, meu pescoço se arrupiou. Eu não conseguia me mexer. Fiquei paralisado, com dificuldade pra respirar. O ser também ficou parado, como se temesse algo. Por fim criei coragem e continuei andando. Minhas pernas tremiam bastante. Fui tateando a parede até achar o maldito do interruptor, liguei a lâmpada e olhei para a geladeira.
Em pé. Com os olhos vermelhos de sangue seco, um homem morto me observava, estava espantado. Confesso que achei graça na hora. Ele estava morrendo de medo e era como se perguntasse “ Esse moleque está me vendo?”. Pelo jeito do corpo devia ter morrido velho. A pele era bem podre e as roupas muito sujas e rasgadas. Permanessemos um tempo assim. Até que tudo aquilo perdeu a graça. Sai da cozinha com aquela coisa me olhando. Entrei no quarto sorrindo e pensando “ Eu estava certo, que massa, sou uma criatura da noite, vou postar isso no Blog!”.
Será que hoje é ele quem vai vir em casa de novo? Talvez seja um outro morto. Qual será o morto que vai visitar o seu lar?
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